Pichação versus Grafite


Grafiteiros são confundidos com pichadores.

Para muitos o grafite é apenas uma pichação evoluída, para outros uma modalidade de arte urbana.
Além dos muros, grafiteiros e pichadores aparecem na mídia impressa, falada e também ocupam seu espaço na internet; em blogs, sites de relacionamentos e portais, contudo, a exposição não tem ajudado muito a diminuir a confusão quando se fala de ambos.
A utilização de um muro ou qualquer espaço público, sem autorização é pichação. Seja numa demonstração mais elaborada ou simplesmente em frases muitas vezes incompreensíveis.
Para os pichadores, pichação também é arte, a escolha irreverente do local é apenas uma forma a mais de contestação. Quanto mais perigoso, quanto mais alto, quanto mais proibido melhor.
Pichação é escrever em muros, paredes e postes, através de palavras cifradas, que juntas formam um alfabeto excêntrico e pouco legível, em geral evidenciam habilidade em escrever esses símbolos, mas sem preocupação plástica e está associada a vandalismo e marginalidade, não há como negar.
A pichação também é utilizada para demarcação de territórios entre grupos.
Na Idade Média, padres pichavam os muros de conventos rivais no intuito de expor sua ideologia, criticar doutrinas contrárias às suas ou mesmo difamar governantes, dá pra acreditar?
Em outubro de 2008, uma jovem foi presa, por pichar as paredes internas do 2º piso do prédio da Bienal Internacional de Arte de São Paulo.
A jovem, de 23 anos, ficou presa por mais de 50 dias.
Em geral, a convivência entre grafiteiros e pichadores é pacífica. Muitos grafiteiros foram pichadores no passado, e os pichadores não interferem sobre paredes grafitadas.
O grafite (do italiano graffiti, plural de graffito) é o nome dado às inscrições feitas em paredes. Considera-se grafite uma inscrição caligrafada ou um desenho pintado ou gravado sobre um suporte que não é normalmente previsto para esta finalidade – normalmente em espaço público.
O grafite traz suas raízes na Roma antiga, lá os cidadãos também escreviam em muros e nas suas próprias casas em forma de manifesto e também de protesto.
Numa leitura mais contemporânea, aparece associado a cultura hip hop e ao break, das gangues e guetos de Nova York.
Em São Paulo, aparece no final da década de 70. Hoje em dia os grafites brasileiros são reconhecidos entre os melhores do mundo.
No grafite, a manifestação artística pode ser permitida ou não, tem seu caráter contestador e irreverente, mas baseia seus preceitos em desenhos e formas coloridos e elaboradas, também com intenções críticas, manifestam seu conteúdo artístico.
Dentre os grafiteiros, talvez o mais célebre seja Jean-Michel Basquiat, que, no final dos anos 1970, despertou a atenção da imprensa novaiorquina, sobretudo pelas mensagens poéticas que deixava nas paredes dos prédios abandonados de Manhattan. Basquiat ganhou o rótulo de neo-expressionista e foi reconhecido como um dos mais significativos artistas do final do século XX.
O grafite, assim como a pichação, reflete a realidade das ruas.
Conversei com Fabio Crânio um “graffiteiro” de São Paulo, veja a entrevista;
É de autoria dele também os grafites aqui editados.

  • Quem é o Fabio Cranio?
Sou artista plástico grafiteiro há 11 anos e autodidata. Nasci na zona norte de São Paulo e sempre cresci vendo os grafites pelas avenidas, mas não sabia como apareciam. Certo dia, no colégio combinei com uns amigos para pintar um muro perto de casa, compramos os sprays e fomos, com a cara e a coragem, pois não sabíamos como funcionava, etc.
A partir de então, não parei mais. Pintava quase diariamente nas ruas.

O que é o grafite para você?

Na minha opinião, o grafite é uma pichação evoluída. A pichação é mais uma forma de intervenção urbana, tem sua própria linguagem. Os pichadores geralmente atuam à noite desafiando até a gravidade, subindo em prédios e janelas em lugarem bem altos, feito sem autorização.
O grafite é uma forma de linguagem mais elaborada, feita, a maioria das vezes, durante o dia e com autorização. É feito em murais e paredes de grande metragem, levando a cor e a vida em diversos pontos da cidade, fazendo dela uma galeria de arte em céu aberto.
Como é seu dia-a-dia e como é a convivência com a turma, há problemas com grupos rivais atualmente?
Participo de encontros e eventos com outros grafiteiros para pintarmos juntos.
Também não há gangues rivais, nem violência entre a gente. Os grafiteiros se respeitam entre si. Todos admiram a arte um do outro, sem essa de marcação de território.
A paixão de pintar pela cidade é o que me marca, passar por um lugar e ver seu desenho e as pessoas admirando, não tem preço.
Onde estão seus trabalhos ou de seu grupo e como foi o contato com os proprietários para possibilitar a realização deles.
A maioria dos meus trabalhos estão em São Paulo e geralmente peço a autorização diretamente com os proprietários que são, na verdade, os patrocinadores da arte urbana (grafite).

Como tem sido a resposta a sua arte?

A forma mais eficiente de divulgar minha arte é fazê-la na rua. Meus amigos e as outras pessoas que passam, sempre entram em contato para me convidar para grafitar sua casa, quarto, áreas de lazer, decoração de ambientes, entrevistas, compram minhas telas, e até mesmo me ligam só para parabenizar pelo trabalho. É sempre muito gratificante.
Ok, Fábio, muito obrigada pela participação, boa sorte e sucesso!
Conheça mais grafites do Fábio Crânio em:www.flickr.com/cranioartes
Tel: (011) 8406-8608
Curiosidades: Principais termos e gírias utilizadas nessa arte;
  • Grafiteiro / writter: o artista que pinta.
  • Bite: imitar o estilo de outro grafiteiro.
  • Crew: é um conjunto de grafiteiros que se reúnem para pintar juntos.
  • Tag: é assinatura de grafiteiro.
  • Toy: é o grafiteiro iniciante.
  • Spot: lugar onde é praticada a arte do grafitismo.
http://i53.tinypic.com/2qnmbk3.jpg
Fontes: Wikipedia, Ramos, Célia Maria Antonacci. Grafite, pichação Cia. São Paulo: ANABLUME, 1994. Instituto Arte na Escola; Olhares sobre a arte pública – grafite x pichação: diferenças e semelhanças por Priscila Anversa.




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